A TAAG anunciou a disponibilização de 9.800 lugares na rota Cabinda–Luanda–Cabinda, associando esta medida à eliminação dos agentes intermediários na venda de bilhetes.
É uma notícia que merece ser recebida com satisfação, se significar mais lugares, maior regularidade e acesso transparente às passagens. Mas não devemos celebrar números sem antes compreender a dimensão real do problema.
Somos seres racionais, cidadãos de um Estado de direito democrático, por isso temos o direito de fazer perguntas:
– O problema era apenas a falta de lugares ou insuficiência de capacidade operacional para responder à procura?
– Como será garantida a regularidade dos voos, tendo em conta os constantes cancelamentos que têm afectado esta rota?
– Os 9.800 lugares representam uma solução estrutural ou apenas uma resposta temporária?
– Se a eliminação dos intermediários era necessária para aumentar a disponibilidade de bilhetes, quem autorizou e fiscalizou anteriormente esse modelo de comercialização e quem são os seus verdadeiros beneficiários?
– E, se foi necessária uma intervenção política da Governadora de Cabinda para alterar a estratégia operacional da companhia, que avaliação deve ser feita sobre a gestão da TAAG pelo seu Conselho de Administração?
Estas perguntas não significam estar contra a solução. Muito pelo contrário, queremos que este problema seja resolvido de uma vez por todas. Durante muito tempo, fomos nós que denunciámos as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos de Cabinda no acesso ao transporte aéreo.
Se esta medida trouxer mais voos, menos cancelamentos e maior transparência, será naturalmente positiva.
Com tantos especialistas em comunicação, é surpreendente que o MPLA e a sua administração continuem a ter dificuldade em comunicar com o povo de forma clara, convincente e, sobretudo, transparente.
É na continuidade do serviço, e não apenas no anúncio, que se mede uma solução, porque o povo não precisa apenas de anúncios: precisa de um serviço regular, previsível e sustentável.
São Tomé — ver para crer!
Obrigado
Chiânica Brás

