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    A imortalidade política de Nzita Tiago

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    Faz exactamente uma década que o silêncio recolheu a voz física de Nzita Henriques Tiago, mas o eco dos seus ideais continua a ressoar com a mesma força nas nossas mentes e corações.

    Relembrar a sua partida, dez anos depois, não é apenas um acto de luto; é um exercício de memória, gratidão e, acima de tudo, de renovação de um compromisso.

    Para o povo de Cabinda, Nzita Tiago não foi apenas um líder histórico ou uma figura de proa da nossa causa. Ele foi o mestre que nos fez crescer na política.

    Foi sob a sua asa, observando a sua resiliência inabalável e a sua rectidão de princípios, que muitos de nós deixámos de ser meros espectadores da história para nos tornarmos actores conscientes do nosso próprio destino.

    Com ele, aprendemos que a política, na sua essência mais pura, não é a busca pelo poder egoísta, mas sim o sacrifício em nome da dignidade, da identidade e da autodeterminação de um povo.

    Nzita Tiago ensinou-nos a ler as entrelinhas da geopolítica, a manter a cabeça erguida perante a adversidade e a negociar sem nunca negociar a nossa essência.

    A sua vida foi um testemunho vivo de que as grandes causas exigem uma paciência histórica e uma coragem que não se vergam ao peso do tempo ou das conveniências do momento.

    A pátria e a identidade de um povo não são moedas de troca. Esta máxima, implícita em cada uma das suas acções, tornou-se a bússola que norteia a nossa atuação política até aos dias de hoje.

    Olhamos para o panorama político actual e percebemos o quão profundas são as raízes que ele plantou em nós. Se hoje temos maturidade para debater, estrategizar e defender os nossos direitos com firmeza, devemos isso à escola de pensamento e de vida que ele fundou.

    Dez anos sem Nzita Tiago são dez anos de responsabilidade acrescida. A melhor forma de honrar a sua memória não é através de estátuas ou de palavras vãs, mas sim dando continuidade à sua visão, com a mesma ética e o mesmo amor à causa que ele demonstrou até ao seu último suspiro.

    Presidente Nzita Henriques Tiago, a sua carne descansou, mas o seu pensamento político permanece vivo, jovem e operante através de cada um de nós.

    Àquele que nos ensinou a pensar, a lutar e a crescer na política: a nossa eterna gratidão e o nosso respeito mais profundo.

    Manter os ensinamentos dele vivos é a maior prova de lealdade e respeito que se pode dar a um líder que dedicou a vida inteira a uma causa.

    A política ganha verdadeiro sentido quando é guiada por princípios e por um propósito maior, exatamente como ele ensinava.

    Que a firmeza e a sabedoria de Nzita Tiago continuem a ser a vossa bússola nesta caminhada.

    Que a sua alma continue a descansar em paz, e que o seu legado continue a iluminar o nosso caminho.

    (*) Por Osvaldo Franque Buela, escritor pan-africanista, refugiado político em França.

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