O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, esta segunda-feira, em Roma, Itália, o reforço da cooperação internacional como uma das vias para combater a fome e a desnutrição, apelando a um esforço conjunto dos governos, do sector privado e de outras instituições.
Ao discursar na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2026, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Chefe de Estado manifestou preocupação com as desigualdades no acesso aos alimentos, apesar da abundância de produtos alimentares em algumas regiões do mundo.
João Lourenço destacou igualmente os efeitos das alterações climáticas sobre a produção agrícola, apontando as tempestades, as cheias, as secas, a desertificação e o aumento das pragas como factores que agravam a fome e a desnutrição.
Para o Presidente angolano, a segurança alimentar exige a participação coordenada dos governos, das instituições científicas, das organizações não-governamentais, da sociedade civil e dos parceiros privados, tendo em conta as responsabilidades de cada interveniente.
O estadista defendeu ainda o aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação internacional, considerando necessário ultrapassar práticas baseadas na dominação e na obtenção de vantagens em prejuízo de outros países.
Na sua intervenção, João Lourenço associou a paz e a estabilidade à criação de condições favoráveis ao desenvolvimento económico e à redução da fome e da pobreza em diferentes regiões do planeta.
O Presidente considerou que o Fórum Mundial da Alimentação constitui uma oportunidade para reflectir sobre estratégias de segurança alimentar, tendo em conta os factores políticos, financeiros, técnicos e científicos que condicionam a produção agrícola mundial.
O encontro decorre até 16 de Outubro, sob o lema “Inovar hoje para alimentar amanhã”, reunindo representantes governamentais, investigadores, produtores agrícolas, jovens, investidores e parceiros internacionais para debater soluções destinadas a tornar os sistemas agroalimentares mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.
A programação inclui iniciativas dedicadas à juventude, à ciência e inovação e ao investimento agrícola, com o objectivo de promover parcerias e mobilizar recursos para a transformação dos sistemas de produção alimentar.
À margem da participação no fórum, Angola apresentou a candidatura oficial da diplomata Josefa Sacko ao cargo de directora-geral da FAO. Com mais de 30 anos de experiência no sector agroalimentar e em organismos multilaterais, a diplomata exerceu funções como comissária para a Economia Rural e Agricultura da Comissão da União Africana.

