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    Filho de Cabinda, com orgulho da sua terra natal

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    Enquanto muitos fazem discursos vazios sobre raízes e pertença, há exemplos claros que mostram a diferença entre nascer em Cabinda e ser, de facto, filho da terra. O homem retratado na imagem chama-se Marcos Alexandre Tati Júnior, tem 51 anos e é natural de Micuma, município do Buco Zau, província de Cabinda.

    Formado em Ciências Criminais e Inteligência, com especialização em Ciências Policiais e Criminalidade, Marcos Tati é um dos raros angolanos a exercer funções como oficial de polícia nos Estados Unidos da América, concretamente no Estado de Maryland. Apesar de ter construído a sua carreira no exterior, nunca renegou as suas origens nem virou as costas à terra que o viu nascer.

    Em 2024, regressou a Angola e foi recebido pelas autoridades, em Luanda, onde partilhou a sua experiência profissional numa palestra dirigida aos efectivos da Polícia Nacional. No entanto, ao contrário de outros que passam pelo país e ignoram deliberadamente a terra natal, o oficial Tati recusou sair de Angola sem antes pisar a sua terra-mãe, Cabinda. Seguiu de imediato para a “nossa Tchiowa”, para reencontrar familiares e amigos, reafirmando, na prática, a sua ligação à terra que o viu nascer. Isso, sim, é ser de Cabinda.

    Ser cabindense não é apenas uma questão de certidão ou de conveniência mediática. É voltar para casa, sentir saudades da sacafolha de feijão, do mandjevo, das danças e ritmos tradicionais, das músicas como kintuene e mayeye, visitar o Morro do Tchizo e receber a bênção dos bakamas. Isso é identidade. Isso é pertença.

    É por essa razão que muitos cabindenses questionam a narrativa construída em torno de Eduardo Camavinga. Para estes, o jogador do Real Madrid nunca demonstrou qualquer ligação cultural, social ou afectiva com Cabinda. É visto como cidadão de origem congolesa, que apenas terá nascido acidentalmente em território cabindense, num suposto campo de refugiados no Alto Sundi, cuja localização é desconhecida pela maioria da população do Miconje, que afirma nunca ter ouvido falar da existência desse campo.

    Para muitos, o caso de Camavinga assemelha-se ao do falecido músico Charles Bua Puaty, que afirmava ser natural de Cabinda, embora ninguém conhecesse os seus familiares, amigos de infância ou qualquer ligação concreta à província.

    Cabinda não precisa de nomes usados por conveniência, nem de identidades assumidas apenas quando dão visibilidade.
    Cabinda precisa de filhos que a reconheçam, respeitem e defendam, como faz o oficial Marcos Alexandre Tati Júnior.

    Isso, sim, é ser filho de Cabinda.

    Texto: Mónica Massiala

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