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    Padre Raul Tati defende indemnização às vítimas do Cabo Ledo

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    O padre Raul Tati defendeu a indemnização das famílias das vítimas do acidente ocorrido no Cabo Ledo, que resultou na morte de mais de 11 passageiros da transportadora Macon.

    Entre as vítimas, encontravam-se quatro profissionais de saúde provenientes da província de Cabinda, que regressavam da Huíla, onde se deslocaram em missão de serviço para participar no 6.º encontro nacional dos enfermeiros de Angola.

    Ao reagir à tragédia, o antigo sacerdote da Diocese de Cabinda considerou que as mortes eram evitáveis, sublinhando que, tendo em conta a importância da actividade, deveriam ter sido assegurados meios de transporte mais seguros para os profissionais.

    “Essas mortes eram evitáveis, não podemos continuar a ver as pessoas a morrer dessa maneira tão gratuita”, afirmou.

    Segundo explicou, os profissionais enfrentaram um percurso longo e desgastante, que incluiu a saída de Cabinda por via marítima até ao Soyo, seguindo depois por estrada até Luanda e, posteriormente, até à Huíla, numa viagem que classificou como um sacrifício excessivo.

    “Por que razão tiveram de passar por todo esse sacrifício? Não era possível evitar isso? Não havia alternativa mais segura?”, questionou.

    Para Raul Tati, a opção por esse percurso poderá ter sido motivada por limitações financeiras, admitindo que os profissionais não tiveram acesso a passagens aéreas.

    “Provavelmente não tiveram meios para pagar bilhetes de avião e optaram pelo mais barato, mas o barato saiu caro e resultou nesta tragédia”, frisou.

    O politico do galo negro lamentou ainda o facto de, após o acidente, terem surgido meios para o repatriamento dos corpos, defendendo que tais recursos deveriam ter sido disponibilizados antes.

    “Devemos cuidar das pessoas enquanto estão vivas e não apenas quando acontece a fatalidade”, destacou.

    O padre acrescentou que, apesar de as vítimas já terem sido sepultadas, a tragédia não deve ser esquecida, devendo ser analisada com responsabilidade.

    “Este assunto pode mesmo merecer um processo judicial contra o Estado”, afirmou.

    Neste sentido, apelou às famílias das vítimas para avançarem com um processo judicial contra o Estado angolano, defendendo que sejam devidamente indemnizadas por aquilo que classificou como mortes evitáveis e injustificáveis.

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