A Subcomissão de Candidaturas à presidência do MPLA anunciou, esta terça-feira, a rejeição da candidatura de Higino Carneiro, alegando o incumprimento dos requisitos previstos nos Estatutos do partido e a identificação de diversas irregularidades durante a análise do processo.
Em conferência de imprensa, o coordenador da Subcomissão, Job Capapinha, explicou que a candidatura apresentava inconformidades que impediram a sua validação, incluindo documentos considerados falsificados.
Segundo o responsável, o mandatário da candidatura declarou ter entregue 19.158 fichas de subscrição organizadas em 152 pastas. No entanto, durante a recepção da documentação, a Subcomissão verificou a ausência de duas pastas referentes à província do Bié. Após a conferência do material efectivamente recebido, foram contabilizadas apenas 14.493 fichas.
A análise detalhada revelou várias irregularidades, entre as quais subscrições atribuídas a cidadãos que não constam dos Comités de Acção do Partido (CAP), utilização de cartões de militante descontinuados, mas com datas recentes de emissão, listas assinadas por uma única pessoa em representação de vários militantes e bilhetes de identidade falsificados.
Entre os casos apresentados, Job Capapinha destacou uma alegada declaração de apoio, em Luanda, atribuída à dirigente Jamila Uguete da Silva de Almeida, membro do Bureau Político do MPLA. De acordo com o coordenador, a própria dirigente comunicou oficialmente que nunca redigiu, autorizou ou assinou o referido documento.
Em Cabinda, acrescentou, foi igualmente identificada uma declaração de apoio acompanhada por um bilhete de identidade falsificado em nome de Mateus Miranda.
A Subcomissão informou ainda que foram detectadas, em diferentes províncias, assinaturas falsas nos mapas de apoio, duplicação de listas de subscritores, repetição de nomes em várias declarações e cartões de militante considerados falsificados.
Dos 14.493 formulários analisados, apenas 2.561 foram considerados válidos, correspondendo a 17,6% do total. Outros 9.659 documentos, equivalentes a 66,6%, foram classificados como inválidos, enquanto 2.273 fichas, representando 15,6%, foram consideradas falsas.
Face às irregularidades identificadas, o processo será remetido aos órgãos competentes do MPLA para apreciação, podendo igualmente dar origem a procedimentos de natureza criminal, devido à gravidade dos factos apurados.
Job Capapinha informou ainda que o relatório da apreciação foi enviado ao mandatário da candidatura de Higino Carneiro, para conhecimento e os devidos efeitos legais.

