O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apresentou uma proposta de pacto de transição política que, segundo afirmou, visa garantir estabilidade e confiança no período eleitoral, sem alterar o calendário das eleições em Angola. O líder da oposição destacou que a iniciativa não pretende promover rupturas nem excluir qualquer força política, mas antes reforçar o compromisso nacional com a paz social e a ordem constitucional.
Durante uma cerimónia de cumprimentos de Ano Novo, Adalberto explicou que o pacto não serve para negociar interesses pessoais de governantes ou da oposição. Defendeu que se trata de uma proposta patriótica, orientada para assegurar harmonia política e reduzir tensões antes e depois das eleições.
Entre os pontos centrais da iniciativa estão a promoção de transparência e credibilidade no processo eleitoral de 2027, reformas institucionais construídas por consenso e medidas que reforcem a separação de poderes. O dirigente sublinhou ainda a necessidade de garantir neutralidade na administração pública e preservar a estabilidade económica e social durante todo o ciclo eleitoral.
Na sua intervenção, afirmou que a alternância democrática deve ser vista como um processo normal e saudável nas democracias modernas, essencial para a renovação política. Considera que 2026 deve ser um ano de responsabilidade e preparação serena para uma eventual transição constitucional.
Adalberto Costa Júnior denunciou também a existência de campanhas políticas que acusam o seu partido de ter sido “vendido”, sem indicar responsáveis. Criticou ainda a ausência de avanços na implementação das autarquias locais e a falta de previsões no OGE de 2026 para eleições autárquicas e para temas ligados à reconciliação nacional e aos acordos de paz.
Por fim, reforçou a importância de fortalecer a confiança nas instituições eleitorais, nomeadamente na Comissão Nacional Eleitoral e nos tribunais, com destaque para o Tribunal Constitucional, que desempenha funções equivalentes às de um tribunal eleitoral em Angola.

