O tribunal responsável pelo julgamento do processo que envolve antigos dirigentes angolanos e empresários estrangeiros mantém como prioridade a audição de Paulo Cascão, ex-diretor da Delta Imobiliária. Considerado peça-chave no alegado esquema de desvio de fundos públicos, Cascão deveria ter sido ouvido por videoconferência no passado dia 18, mas as autoridades judiciais não conseguiram localizá-lo em Portugal.
Perante esta dificuldade, o tribunal recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça português, pedindo apoio para assegurar a presença virtual do gestor. Cascão é apontado pelo Ministério Público como tendo liderado uma empresa ligada a Manuel Vicente e aos generais “Kopelipa” e “Dino”, que terá participado num contrato de reembolso fraudulento envolvendo milhões de dólares da Sonangol Imobiliária.
Entretanto, o julgamento encontra-se suspenso até 2 de Setembro, data em que se aguarda a resposta das autoridades portuguesas e a conclusão da tradução de documentos em inglês e mandarim para o arguido chinês Yiu Haiming e para as empresas internacionais envolvidas.
Se Paulo Cascão não prestar declarações nessa data, a produção de prova ficará pendente até nova decisão do tribunal, adiando a entrada na fase das alegações, onde o Ministério Público e os advogados dos arguidos irão debater as responsabilidades criminais.
Entre os acusados estão os generais Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” e Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, além de Fernando Gomes dos Santos, Yiu Haiming e as empresas Plansmart International Limited e Utter Right International Limited, que respondem por crimes de peculato, burla por defraudação, falsificação de documentos, associação criminosa e abuso de poder.
Via – JN

