A presença militar do Ruanda em Cabo Delgado poderá entrar numa fase decisiva nos próximos meses, face às exigências de maior financiamento para manter a missão de combate ao terrorismo.
O Presidente Paul Kagame admite retirar as tropas caso não haja garantias financeiras, colocando a União Europeia perante um dilema estratégico.
Desde 2021, forças ruandesas apoiam o Governo de Moçambique na luta contra grupos insurgentes, contribuindo para a retoma de projectos energéticos na região rica em gás natural.
Apesar do apoio europeu, os custos reais da operação continuam pouco claros, levantando dúvidas entre analistas sobre os valores apresentados por Kigali.
Especialistas defendem que uma retirada imediata é improvável, devido aos interesses económicos e estratégicos envolvidos, incluindo contratos de empresas e segurança associada aos projectos energéticos.
Por outro lado, a eventual saída das tropas poderá representar riscos para a estabilidade regional e afectar investimentos internacionais, sobretudo ligados ao sector do gás.
O debate intensifica-se também devido às tensões relacionadas com o alegado envolvimento do Ruanda no conflito no leste da República Democrática do Congo, criando contradições na política externa europeia.

