O Presidente da República, João Lourenço, afirmou que o actual cenário internacional se assemelha a uma “selva”, onde grandes potências utilizam intervenções militares como forma de assegurar o domínio de recursos estratégicos.
Durante a 11.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), realizada em Malabo, na Guiné-Equatorial, o estadista angolano destacou que, embora os argumentos tenham evoluído, os interesses mantêm-se centrados no controlo de petróleo, gás e minerais essenciais.
Segundo referiu, algumas acções militares recentes têm sido justificadas com base em fundamentos considerados frágeis, como o chamado “ataque preventivo”, prática que, no seu entender, não tem sustentação no Direito Internacional.
João Lourenço alertou ainda para uma crescente desordem global, marcada pela imposição da força sobre as normas internacionais, o que representa riscos à paz e à estabilidade mundial.
Recordando o passado, sublinhou que os países de África, Caraíbas e Pacífico conhecem bem estas dinâmicas, por terem sido historicamente explorados durante o período colonial, motivado pela exploração de recursos naturais — uma realidade que, segundo disse, ainda se manifesta nos dias actuais.
Perante este contexto, defendeu que a OEACP deve reforçar o seu papel no panorama internacional, participando de forma mais activa na procura de soluções para os grandes desafios globais.
A intervenção acontece no momento em que Angola conclui o seu mandato de três anos na presidência da organização, passando a liderança para a Guiné-Equatorial, país anfitrião da cimeira.

