Como é possível que as equipas de Cabinda não tenham patrocínios, quando várias empresas exploram os nossos recursos?
Como é possível que, época após época, os clubes tenham de pedir apoio apenas para competir?
O nosso petróleo e o nosso gás enriquecem a elite angolana. A província produz diariamente milhares de barris de petróleo, além de gás, sem falar da exploração de outros recursos. Mas, quando olhamos para o desporto local, a realidade é de abandono e dificuldades constantes.
Como é possível vermos clubes como o Sporting de Cabinda e o Kincoxi FC desistirem do zonal de apuramento por falta de patrocínio? Onde está o compromisso das empresas que operam em Cabinda? O que fazem, na prática, em termos de responsabilidade social?
Enquanto isso, nas Lundas, o cenário é diferente. Empresas diamantíferas como a Endiama e a Sociedade Mineira de Catoca patrocinam clubes como o Sagrada Esperança e o Desportivo da Lunda Sul. Lá, as empresas assumem o apoio ao desporto local. Aqui, os clubes lutam praticamente sozinhos.
Que mal fizemos em Cabinda para vermos os nossos clubes a mendigarem apoios todos os anos?
Na segunda-feira, a governadora Suzana Abreu ofereceu 24 bilhetes da TAAG Linhas Aéreas de Angola à direcção do Futebol Clube de Cabinda para garantir a deslocação dos atletas até Luanda, em trânsito para Benguela, onde a equipa disputará mais uma jornada do campeonato nacional da segunda divisão.
O gesto é positivo, mas não é suficiente. O clube precisa de patrocínios reais, apoio estruturado e permanente.
Cabinda produz riqueza todos os dias. O mínimo que se exige é que parte dessa riqueza seja investida no desenvolvimento do desporto local.
Que haja patrocínio sério para os clubes locais, tal como acontece com o Petro de Luanda, que beneficia amplamente das receitas do petróleo extraído em Cabinda.
Os nossos clubes não podem continuar a sobreviver de favores ocasionais. Merecem respeito, dignidade e compromisso sério.
Tenho dito.
Texto: João Goma

