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    O futuro energético de Cabinda: Entre promessas e realidade

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    Sempre que ouvimos falar de Cabinda e das suas promessas de modernização, é como se uma velha história se repetisse.

    O anúncio feito pelo Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, sobre os avanços no sector energético da província, com o famoso cabo submarino de 120 quilómetros e o parque solar fotovoltaico, soa como mais um capítulo de uma novela que, por mais que se alongue, nunca chega ao fim. Parece até cómico ver as autoridades a venderem sonhos, quando a realidade de Cabinda já é bem conhecida: promessas que nunca se cumprem.

    O tal cabo submarino que ligará Cabinda à Rede Nacional de Electricidade é, mais uma vez, o grande protagonista.

    Segundo dizem, vai resolver todos os problemas, reduzir a dependência da energia térmica e até melhorar a vida da população. Mas quem vive em Cabinda sabe bem que a promessa de uma maior ligação à rede nacional é apenas isso: uma promessa.

    O sistema energético da região, que se diz moderno, continua a ser uma verdadeira armadilha. Quem não se lembra das queixas constantes de apagões, da instabilidade e da falta de qualidade na energia fornecida?

    O cabo submarino pode até chegar, mas quem garante que o serviço vai melhorar de verdade?

    A questão não é apenas ligar Cabinda à rede, é garantir que a energia chegue às casas, que não se perca pelo caminho e que não se apague à primeira tempestade.

    E depois temos o parque solar fotovoltaico de 90 MW, outro projeto que, de tanto ser falado, já parece quase uma lenda. Claro que todos gostávamos que fosse verdade, que Cabinda pudesse finalmente ver uma alternativa à energia térmica, mas quem tem paciência para acreditar nesta história?

    O estudo de impacto ambiental já foi feito, mas, entre o estudo e a execução, há uma distância tão grande que não podemos deixar de ser céticos.

    O financiamento ainda depende de uma burocracia tão emaranhada que parece mais uma desculpa para nunca se concretizar.

    Já vimos isto antes, e não faltam exemplos de energias renováveis que nunca saem do papel. Promessas e mais promessas, mas nada de concreto.

    E o que dizer da Central Térmica de Malembo? A mesma história de sempre. Tem 145 MW de capacidade instalada, mas só produz 85 MW.

    A instalação de uma nova turbina a gás foi anunciada como solução, mas a verdade é que a central já deveria ter sido modernizada há muitos anos. As avarias são tão frequentes que já fazem parte da paisagem. E o pior é que, por detrás de tudo isto, está a mesma ineficiência crónica que marca o sector público em Angola: investem-se milhões, mas falta planeamento, gestão e manutenção.

    Os cabindas já sabem que, mais cedo ou mais tarde, a central vai voltar a falhar, porque as promessas de modernização nunca são levadas a sério.

    No fundo, o futuro energético de Cabinda continua a ser uma miragem. Não por falta de planos, mas porque a realidade da região está longe de acompanhar o discurso oficial. Cabinda, infelizmente, já se habituou a viver com promessas que nunca se cumprem.

    O cabo submarino, o parque solar, a central térmica… tudo soa muito bem no papel, mas sabemos que, no fim, será mais do mesmo. Uma chama que acende e apaga ao sabor das promessas vazias, enquanto a população continua a sofrer com a falta de energia, e as autoridades continuam a fazer de conta que vão mudar alguma coisa.

    A verdade é que, até que as promessas saiam do papel e se tornem realidade, Cabinda vai continuar à espera – uma espera que já dura há demasiado tempo.

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