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    “Não sou cabo-verdiana”, diz antiga governadora de cabinda

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    Aldina da Lomba, antiga governadora da província de Cabinda, respondeu publicamente às críticas dirigidas à sua família nas redes sociais, na sequência das declarações da sua irmã mais nova, a actriz Raquel da Lomba, que afirmou que “ninguém vai separar Cabinda de Angola”.

    A declaração gerou polémica e reacções negativas, sobretudo entre defensores da independência da província. Vários internautas questionaram a legitimidade da actriz para se pronunciar em nome de Cabinda, alegando que a família teria origem cabo-verdiana.

    Uma das críticas mais duras partiu de Maurício Gimbi, líder da União dos Cabindas para a Independência (UCI), que acusou a família Da Lomba de, durante o período de guerra, se identificar como cabo-verdiana para escapar ao conflito que assolava o país.

    Em resposta, Aldina da Lomba recorreu às redes sociais para esclarecer os factos e defender a honra da sua família:

    “No tempo da guerra, os Da Lomba nunca fugiram de Cabinda, nem tão-pouco se assumiram como cabo-verdianos”, escreveu.

    A ex-governadora explicou que a sua mãe, embora natural de Cabo Verde, chegou a Cabinda em 1947, com apenas 14 anos. “Desembarcou na Praia da Companhia, actual Praia dos Pescadores, e seguiu de jangada pelo rio Chiloango até ao Necuto, onde trabalhou durante vários anos nas roças de café e cacau. Nunca regressou a Cabo Verde. Todos os seus filhos nasceram em Cabinda e nenhum de nós tem nacionalidade cabo-verdiana”, esclareceu.

    Aldina da Lomba destacou ainda o contributo dos seus irmãos para o desenvolvimento da província. “O meu irmão Egídio José Martins Torres foi professor no Cacongo na escola Faty Veneno, outro irmão, também foi docente e director da Escola Barão de Puna. Carlos da Silva Barros participou na luta de libertação nacional, tendo sido formado em Tanques e Armamento em Cuba, e faleceu com a patente de brigadeiro. O Euclides da Lomba, também professor, foi preso e torturado durante o conflito, e até hoje sofre as consequências.”

    Dirigindo-se directamente a Maurício Gimbi, questionou: “Tu estavas onde no tempo da guerra?”, e lamentou o teor das acusações. “É preocupante ver jovens a atacarem quem nunca lhes fez mal. O debate político deve ser conduzido com responsabilidade, respeito e verdade.” Escreveu Aldina da Lomba.

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