O bispo de Cabinda, Dom Belmiro Chissengueti, reafirmou, em Luanda, que a província enfrenta sérias dificuldades sociais e económicas, sublinhando que “não é fácil viver em Cabinda”.
Falando à margem da I Assembleia Plenária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), o prelado considerou que algumas situações vividas na província são difíceis de compreender, nomeadamente a escassez de combustível, que classificou como “incompreensível”.
Dom Belmiro defendeu que Cabinda, por ser produtora de petróleo há mais de 50 anos, “teria pelo menos, por justiça, combustível suficiente para a sua vida interna”.
Referindo-se aos custos de travessia terrestre através da República Democrática do Congo, explicou que “a travessia da RDCongo custa entre 2000 a 4000 dólares e isso tem incidência naturalmente no preço dos produtos”, o que contribui para o aumento do custo de vida na província.
O bispo denunciou ainda a persistência do tráfico de combustível, afirmando: “Isso é do conhecimento das autoridades, mas a situação continua”. Alertou igualmente que a falta de energia, combustível e bens essenciais “cria tensão social muito grande”.
Sobre a imigração, advertiu que, “se não for controlada”, pode chegar-se “infelizmente, a uma situação que os próprios filhos da terra já não terão espaço para respirar”.
O responsável católico concluiu reiterando as dificuldades enfrentadas pela população, mantendo a posição de que é urgente encontrar soluções estruturais para melhorar as condições de vida em Cabinda.

