O líder da oposição da República Democrática do Congo (RDC), Martin Fayulu, considerou, esta quinta-feira, 11 de Dezembro, que o Acordo de Washington constitui uma “armadilha” cuidadosamente preparada pelo Presidente do Rwanda, Paul Kagame.
De acordo com Fayulu, o entendimento assinado nos Estados Unidos surgiu num contexto de forte pressão internacional sobre Kigali, resultante das sanções aplicadas pela União Europeia, pelos Estados Unidos da América desde Janeiro, bem como da Resolução 2773 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na sua visão, Kagame terá procurado este acordo como forma de contornar essas medidas.
O dirigente do partido ECiDé afirmou ainda que o Presidente Félix Tshisekedi foi levado a aceitar um compromisso no qual, segundo disse, não acreditava plenamente, acusando Kigali de manter intenções belicistas. Para Fayulu, os recentes desenvolvimentos no terreno demonstram que o Rwanda continua a preparar-se para a guerra, motivada por interesses económicos e territoriais.
O opositor congolês descreveu a actual crise de segurança como um problema de dimensão sub-regional, envolvendo não apenas a RDC e o Rwanda, mas também países vizinhos como Uganda, Burundi e até a Tanzânia. Embora reconheça os esforços do ex-Presidente norte-americano Donald Trump para promover a paz, Fayulu apontou a postura hegemónica de Paul Kagame como um obstáculo à estabilidade.
Recorde-se que, pouco depois da assinatura do acordo de paz, no passado dia 4 de Dezembro, em Washington, perante Donald Trump, pelos Presidentes Paul Kagame e Félix Tshisekedi, voltaram a registar-se confrontos violentos na província de Kivu do Sul, zona fronteiriça com o Rwanda e o Burundi.


