O antigo porta-voz da FLEC, Osvaldo Franque Buela, voltou recentemente a apelar ao Governo português para assumir a sua “responsabilidade moral e histórica” sobre a situação de Cabinda, criticando aquilo que considera ser o “silêncio cúmplice” de Lisboa em relação ao Tratado de Simulambuco. Segundo o dirigente, o documento de 1885 reconhecia Cabinda como um protetorado português, estatuto que, na sua visão, foi ignorado durante o processo de descolonização.
Num tom bastante crítico, Osvaldo Buela afirmou que “o silêncio de Portugal é o grito de guerra do MPLA e do seu incompetente Presidente”, defendendo que Lisboa não pode continuar a ignorar o que considera ser “um erro histórico cometido em 1975”. Para ele, a integração de Cabinda em Angola, após o Acordo de Alvor, não representou um acto legítimo de descolonização, mas sim “uma traição política que mantém o território envolto em segredo e injustiça”.
O ex-porta-voz da FLEC apela ao Governo português para dialogar directamente com os cabindas, incentivar uma solução política e jurídica para o diferendo e reconhecer o papel que Portugal desempenhou na formação do território antes da independência de Angola. “Portugal deve ajudar a tirar Cabinda da escuridão e enfrentar a verdade histórica que ainda pesa sobre o enclave”, reforçou.
A FLEC reivindica, há cerca de cinco décadas, a independência de Cabinda, alegando que o enclave foi alvo de “invasão militar angolana” após o Acordo de Alvor, assinado em 1975. A organização acusa Portugal de ter anexado Cabinda a Angola sem qualquer consulta popular, contrariando o Tratado de Simulambuco, que, segundo a FLEC, conferia ao território um estatuto autónomo sob protecção portuguesa.
As autoridades angolanas e portuguesas mantêm, porém, a posição de que Cabinda é parte integrante e inalienável do território angolano, enquanto os movimentos independentistas continuam a contestar a legitimidade da integração.

