A Zâmbia acolheu uma reunião de emergência de três dias, organizada pela Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), para discutir o agravamento da situação no leste da República Democrática do Congo (RDC). Participaram 12 ministros da Defesa e chefes militares de Angola, Burundi, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville, RDC, Quénia, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.
O encontro surge após a breve ocupação da cidade de Uvira pelo M23, apoiado pelo Ruanda, dias depois de um acordo de paz mediado pelos EUA, e em meio a acusações do governo congolês contra Kigali por mortes de civis desde dezembro, classificadas como atos de agressão e violações do direito internacional.
Mutale Nalumango, vice-presidente da Zâmbia, apelou a uma ação coletiva para proteger os civis e garantir estabilidade regional. O ministro congolês da Defesa, Guy Kabombo Muadiamvita, destacou o compromisso comum de reforçar a resposta regional a desafios humanitários e de segurança, promovendo a implementação dos acordos de Washington e Doha.
Analistas afirmam que Angola, como presidente da União Africana, surge como mediador de confiança entre Kigali e Kinshasa, oferecendo uma oportunidade de progresso duradouro no processo de paz. Novas propostas angolanas já foram apresentadas ao Presidente Félix Tshisekedi e consideradas “muito interessantes” pelo líder congolês.
Especialistas alertam que a eficácia dos esforços de paz dependerá de esclarecimento e coordenação com iniciativas anteriores, considerando interesses de atores internacionais que podem beneficiar-se da insegurança na região.


