O recurso à internet como fonte de rendimento tem registado um crescimento assinalável em Angola, com destaque para jovens empreendedores que encontram no digital uma alternativa face às dificuldades de emprego no mercado formal.
Dados do sector indicam que actividades como prestação de serviços online, comércio electrónico e gestão de páginas nas redes sociais estão entre as principais fontes de receita emergentes. Plataformas como Fiverr e Upwork permitem que profissionais nacionais ofereçam serviços ao exterior, com ganhos que podem variar entre 30 a 500 dólares mensais, dependendo da experiência e da procura.
Segundo o especialista em marketing digital Carlos Manuel, “o mercado digital em Angola está a crescer rapidamente, mas exige consistência, formação e foco. Muitos jovens desistem cedo por falta de resultados imediatos, quando na verdade é um trabalho de construção”.
No mercado interno, a venda de produtos através de canais digitais tem igualmente ganho espaço. Comerciantes utilizam redes sociais como Facebook e WhatsApp para comercializar roupas, telemóveis e acessórios, com lucros médios entre 30 mil e 200 mil kwanzas por mês, sobretudo em centros urbanos como Luanda, Benguela e Lubango.
Outra área em expansão é a criação de conteúdos digitais. Páginas informativas e de entretenimento têm conseguido gerar receitas através de publicidade e parcerias, sendo que páginas com maior alcance podem alcançar entre 100 mil e 400 mil kwanzas mensais.
“O conteúdo local tem muito potencial. Quem consegue criar audiência fiel pode transformar isso em rendimento estável”, acrescentou o especialista.
O marketing de afiliados também começa a afirmar-se no país, com empresas locais e internacionais a oferecerem comissões que variam entre 5% e 20% por cada venda realizada online.
Entretanto, especialistas recomendam cautela quanto a investimentos digitais de alto risco, como o Forex e criptomoedas, devido à volatilidade e à existência de esquemas fraudulentos que têm lesado vários cidadãos.
Com o aumento do acesso à internet e a crescente digitalização da economia, o comércio e os serviços online tendem a consolidar-se como uma alternativa viável de geração de rendimento em Angola.

