Os novos comissários da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola tomaram posse no Parlamento esta quinta-feira (17/07), num ambiente marcado por protestos e forte contestação da oposição. A cerimónia foi conduzida pela presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, e contou apenas com a presença dos representantes indicados pelo MPLA, PRS e FNLA.
A ausência notável foi a dos comissários da UNITA, o maior partido da oposição, que recusou indicar nomes para o órgão, em protesto contra a composição desequilibrada da CNE, que atribui nove membros ao MPLA e apenas quatro à UNITA. O Partido Humanista de Angola (PHA) também ficou de fora, devido a um processo judicial que suspendeu a nomeação do seu representante.
Apesar de ter apresentado uma providência cautelar no Tribunal Constitucional para travar a tomada de posse, a UNITA viu o pedido rejeitado. O partido continua a defender que a nomeação atual viola o princípio da representatividade e aguarda agora uma reapreciação do recurso.
Entretanto, cresce o clima de tensão política. Na mesma sessão parlamentar, o líder da bancada do MPLA, Joaquim Carlos dos Reis Júnior, acusou o presidente da UNITA de mentir, aumentando o tom das divergências. O impasse continua, sem indicação de quando – ou se – os comissários da UNITA poderão ser empossados.
A oposição, embora tenha ameaçado protestos de rua, ainda não avançou com essas ações. Com eleições previstas apenas para 2027, o desequilíbrio na CNE preocupa analistas e cidadãos quanto à transparência futura do processo eleitoral em Angola.