A Rússia está sob crescente pressão interna para responder aos ataques ucranianos, especialmente os recentes ataques de drones a bases aéreas e à ponte de Kerch, que liga a Rússia à Crimeia. Esses ataques, que ocorreram a milhares de quilómetros da linha de frente, causaram grande humilhação para Moscovo, já que atingiram infraestruturas militares estratégicas. A resposta do Kremlin, até agora, tem sido cautelosa, aguardando os resultados de investigações formais.
No entanto, a indignação crescente nos meios de comunicação e entre analistas pró-Kremlin sugere que uma retaliação forte é esperada. Alguns comentadores pedem ataques nucleares contra a Ucrânia, mas também há vozes que alertam para os custos devastadores de uma escalada nuclear, que isolaria ainda mais a Rússia no cenário internacional. Em vez disso, especialistas apontam para a provável intensificação de ataques convencionais, como mísseis e drones, direcionados a cidades ucranianas.
Apesar das ameaças nucleares, analistas como Vladimir Milov, ex-ministro russo, consideram que a utilização de armas nucleares é altamente improvável, uma vez que a Rússia não quer arriscar um confronto direto com potências globais como a China e a Índia. Para eles, a Rússia provavelmente recorrerá a mais ataques “bárbaros”, mas convencionais, como mísseis e bombardeios a alvos ucranianos.
Entretanto, a Ucrânia continua a desafiar as expectativas, realizando ataques audaciosos que atingem a própria Rússia, e ganhando o apoio crescente de aliados ocidentais, que têm aliviado as restrições quanto ao uso de armas de longo alcance contra alvos russos. Isso tem gerado uma crescente frustração em Moscovo, que se vê pressionado a restaurar sua dissuasão, mas teme as repercussões de uma retaliação nuclear.
Assim, embora a Rússia continue a balançar entre a retórica nuclear e a ação convencional, os recentes ataques ucranianos têm colocado Moscovo numa posição difícil, forçando o Kremlin a decidir até que ponto está disposto a escalar a guerra, enquanto enfrenta crescente isolamento e risco de repercussões internacionais severas.